O governo federal anunciou um aporte de R$ 2,3 bilhões para construir infraestrutura de supercomputação e inteligência artificial no país. Os recursos vêm do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e serão geridos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O anúncio foi feito no dia 20 de agosto.
A maior parcela, de R$ 1 bilhão, vai para um supercomputador a ser instalado no Rio Grande do Norte, com previsão de entrega até o fim de 2027 e expectativa de figurar entre os dez sistemas mais potentes do mundo dedicados a IA. A escolha do estado não é acidental: a disponibilidade de energia eólica e solar é um fator decisivo para viabilizar a operação de data centers, que consomem eletricidade em volume expressivo e cujo custo ambiental está sob escrutínio crescente.
Outros R$ 1,3 bilhão serão destinados a um centro de inteligência artificial e modelos de linguagem no Rio de Janeiro, previsto para julho de 2027, em parceria com Huawei e iFlytek. O supercomputador potiguar deve contar com tecnologia da Nvidia. A composição do arranjo — fornecedores americanos, chineses e europeus — reflete uma estratégia explícita de diversificação, para reduzir dependência de um único fornecedor ou bloco tecnológico.
O pacote inclui ainda o desenvolvimento de chips baseados na arquitetura aberta RISC-V, em cooperação com a Espanha, e um núcleo de transparência algorítmica sediado em Minas Gerais, junto à UFMG. O objetivo declarado é construir capacidade computacional própria para treinar modelos adaptados ao português — hoje uma língua sub-representada nos grandes sistemas de IA — e criar competência nacional em auditoria de algoritmos.
0 Comentário(s)