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Diário de Notícias

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Ibovespa tem 6ª queda seguida, no piso desde janeiro, com quadro fiscal em foco

As dúvidas em relação à composição da equipe econômica do novo governo Lula e à condução da política fiscal a partir do ano que vem continuam levando o Ibovespa a seguir em forte trajetória negativa. Depois de registrar, na semana passada, um dos piores desempenhos da história, o principal índice da bolsa terminou a sessão desta terça-feira, 3, em baixa de 1,42%, aos 165.528,92 pontos, marcando o sexto pregão seguido de queda e no piso desde janeiro.

A queda do petróleo no dia trouxe pressão adicional para os papéis da Petrobras, em baixa de quase 4%. Com os sucessivos tombos, o Ibovespa caminha para zerar os ganhos do ano. Às vésperas do segundo turno, o índice ainda acumulava valorização próxima de 30% no ano, após ter alcançado a região dos 209 mil pontos, quando predominavam as expectativas de alternância de poder. Agora, a alta no ano é de 2,73%. No pregão de hoje, o volume financeiro foi de R$ 32 bilhões.

As baixas continuam amplamente espalhadas pelos setores, com destaque para as ações cíclicas domésticas, muito dependentes da condução da política fiscal e de seus reflexos para a política monetária. Profissionais de mercado continuam afirmando que, caso o governo não proponha soluções críveis para frear o aumento do endividamento do País, a taxa de juros terá que permanecer em níveis elevados para evitar uma possível alta da inflação.

O ICON, índice do setor de consumo, já cai 21,9% no ano, enquanto o IMOB, do setor imobiliário, recua 22,2%; o índice de small caps (SMLL) cede 19,8% no período. O IFNC, do setor financeiro, que concentra grandes nomes da bolsa, tem queda acumulada de 6,66%.

Às vésperas da decisão do Banco Central para a Selic, diversas casas já revisaram seus cenários para uma manutenção da Selic em 13,75% ao ano ao invés de um corte de 0,25 ponto porcentual, além de enxergarem menos espaço para uma continuidade do ciclo de calibração.

"Vamos continuar vendo o mercado assim enquanto não houver nenhum aceno claro em relação ao cenário fiscal. O governo não está trazendo absolutamente nada novo nessa linha e não há nome certo para o Ministério da Fazenda", afirma o sócio da Valor Investimentos, Daniel Teles, que cita também o ruído gerado no mercado com a proposta apresentada por André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, de redução gradual da taxa básica de juros, em um novo desenho do regime fiscal e monetário no País.

"O Copom Comitê de Política Monetária decide a Selic nesta quarta-feira e as opções negociadas na B3 indicavam 68,8% de probabilidade de manutenção. As razões citadas pelos bancos são a incerteza fiscal, o câmbio, o petróleo e a piora das expectativas de inflação. A proposta de Lara Resende pode somar uma camada a esse quadro", diz o fundador da Akros Consultoria, Glauber Sá.

Ainda de acordo com ele, com um plano de corte acelerado em circulação e a autonomia do BC em debate, um corte agora "poderia ser lido como sinal de flexibilidade justamente quando o comitê precisa reforçar credibilidade".

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