A Marisa registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 68,4 milhões no segundo trimestre de 2026, revertendo lucro de R$ 2,1 milhões apurado em igual período do ano passado.
O Ebitda (pré-IFRS 16) somou R$ 36,1 milhões, crescimento de 89,9% na comparação anual. Enquanto isso, a receita líquida consolidada recuou 2,1%, para R$ 386,2 milhões.
No conceito mesmas lojas, que considera as unidades em funcionamento há mais de 12 meses, a receita cresceu 3,2%, para R$ 379,4 milhões. Segundo a varejista, sem os efeitos da Copa do Mundo, a alta teria sido de 5,3%.
Em entrevista à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o presidente da Marisa, Edson Garcia, afirmou que o torneio provocou queda relevante do fluxo, inclusive com o fechamento antecipado de shopping centers em dias de jogos. O executivo destacou, no entanto, que a receita das mesmas lojas acumula crescimento de 24,6% em dois anos.
O lucro bruto das mesmas lojas aumentou 5,2%, para R$ 194,6 milhões, enquanto a margem bruta subiu 1 p.p., para o patamar recorde de 51,3%.
Garcia explicou que a companhia passou a planejar individualmente cerca de 650 subcategorias, considerando o histórico de vendas, as margens e o giro dos produtos.
"Quando acertamos o planejamento e o abastecimento, diminuímos a ruptura, melhoramos o giro, fazemos menos remarcações e aumentamos a margem", afirmou. Segundo ele, a ampliação da base de fornecedores também permitiu melhorar as condições de compra.
As vendas de produtos de inverno cresceram 7,2%. Nas categorias íntima e feminina, os avanços foram de 6,7% e 4,8%, respectivamente. O tíquete médio das mesmas lojas aumentou 1,4%.
Resultado financeiro
O resultado financeiro ficou negativo em R$ 106 milhões, uma piora de 57,2% ante o segundo trimestre de 2025. De acordo com a companhia, o aumento das despesas refletiu a reestruturação do endividamento, com a liquidação antecipada de determinadas dívidas e a contratação de novas linhas de financiamento.
Garcia afirmou que a despesa financeira ainda pressiona o resultado final, apesar da recuperação do negócio. "A melhora do Ebitda e da geração de caixa permitirá reduzir gradualmente a dívida e, consequentemente, o custo financeiro", destacou.
A dívida líquida encerrou junho em R$ 394,8 milhões, alta de 42,4% em relação a dezembro. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses, passou de 0,8 vez para 1,4 vez. Ao fim do trimestre, 62% da dívida total estava classificada no longo prazo, ante 41% em dezembro.
As despesas gerais e administrativas caíram 10,9%, para R$ 36,8 milhões. No primeiro semestre, a redução foi de 14%. O CEO afirmou que os cortes são estruturais e decorreram, entre outras medidas, da renegociação de contratos e da entrada de novos fornecedores. "Não é uma despesa pontual que tirei em um único momento e que volta no ano que vem", disse.
As vendas digitais cresceram 13,1%, impulsionadas por novas parcerias e pela ampliação do sortimento no marketplace. Segundo o executivo, a operação que integra os canais físico e digital avançou mais de 20% e ainda tem espaço para crescer.
O cartão Marisa encerrou junho com 1,1 milhão de unidades ativas e respondeu por 26% das vendas do trimestre. Garcia afirmou que as clientes que utilizam o cartão são duas vezes mais fiéis e apresentam tíquete médio próximo do dobro daquele registrado nos demais meios de pagamento.
Os investimentos somaram R$ 3,1 milhões, queda anual de 36,5%. Os aportes em tecnologia, por sua vez, aumentaram 23,9%, para R$ 2,3 milhões.
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