0

Diário de Notícias

DN.

Marcas fazem campanha para usar “xixi” no resfriamento de data centers de IA

Marcas fazem campanha para usar “xixi” no resfriamento de data centers de IA

Liquid Death e Garage Beer lançaram uma ação publicitária pedindo a urina dos consumidores para resfriar data centers de inteligência artificial. A piada é séria em um ponto: o consumo de água dessas instalações virou problema real.

Uma campanha publicitária com o slogan “queremos o seu xixi” colocou em circulação nesta semana uma pergunta que soa absurda e nem por isso é irrelevante: o que fazer com o volume de água que os data centers de inteligência artificial consomem para não superaquecer. A ação é assinada pela Liquid Death, marca de bebidas conhecida pelo humor agressivo, em parceria com a cervejaria Garage Beer, e traz o ex-jogador de futebol americano Jason Kelce, sócio do negócio, como garoto-propaganda.

Convém deixar claro o que a campanha é e o que ela não é. Trata-se de peça de marketing, não de proposta técnica. Urina in natura não serve para resfriar servidores: contém sais, ureia e compostos que corroem tubulações e incrustam trocadores de calor, além de exigir tratamento sanitário antes de qualquer uso industrial. Nenhuma empresa do setor pretende coletar o material.

O incômodo que a brincadeira explora, esse sim, é concreto. Segundo dados de sustentabilidade divulgados pelo próprio setor, o Google consumiu cerca de 41,3 bilhões de litros de água em 2025, e uma única instalação da companhia em Council Bluffs, nos Estados Unidos, usou aproximadamente 3,8 bilhões de litros em 2024. A disputa por água potável entre data centers e comunidades vizinhas já motivou audiências públicas e recusas de licenciamento em vários municípios americanos.

A saída viável passa por esgoto tratado, e não por baldes. Em Quincy, no estado de Washington, a Microsoft opera um sistema de reúso de água residual que deixa de retirar cerca de 522 milhões de litros por ano do abastecimento local; a obra custou US$ 31 milhões e levou mais de uma década entre planejamento e execução. É justamente esse o limite da solução: infraestrutura cara, regras que variam de região para região e prazos longos, num momento em que a expansão da inteligência artificial não espera.

0 Comentário(s)

Faça login para comentar.