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Diário de Notícias

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Crise entre STF e Polícia Federal se aprofunda após afastamento do diretor-geral

A tensão entre o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal ganhou um novo capítulo nesta semana. Na terça-feira (8), o ministro André Mendonça determinou o afastamento cautelar do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. Mendonça sustenta que foi alvo de monitoramento ilegal e sistemático ao longo do mês de agosto, e afirma que ao menos seis relatórios de inteligência teriam sido produzidos sem registro formal — documentos que ele classifica como apócrifos. Com o afastamento, o delegado William Murad assumiu interinamente o comando da corporação.

O episódio nasce de um novelo que envolve duas apurações sensíveis: o caso do Banco Master e as fraudes no INSS. Relatórios internos da PF sugeriam que Mendonça teria interesse em pautar essas investigações, e o material acabou usado pelo ministro Alexandre de Moraes para abrir apuração contra o próprio Mendonça. Em resposta, Mendonça trouxe a público outro relatório que apontaria uma relação inadequada entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Vale registrar que nenhuma dessas versões foi comprovada até agora: são acusações cruzadas, ainda sob investigação, e todos os citados negam irregularidades.

Dentro da Segunda Turma do STF, a decisão de Mendonça chegou a reunir maioria — ele foi acompanhado por Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, enquanto Dias Toffoli se declarou impedido por não atuar em processos ligados ao caso Banco Master. O placar, porém, não se consolidou: Gilmar Mendes pediu vista e suspendeu a análise, que pode levar semanas para ser retomada. Na prática, a liminar segue em vigor enquanto o julgamento estiver parado. Mendonça também pediu que o tema seja levado ao plenário, mas o presidente da Corte, Edson Fachin, ainda não marcou data.

A repercussão foi imediata. Onze diretores da Polícia Federal colocaram seus cargos à disposição em sinal de protesto, classificando a medida como uma interferência indevida na estrutura da corporação. No Palácio do Planalto, o presidente Lula convocou uma reunião de emergência com o ministro da Justiça, o advogado-geral da União e assessores políticos. A AGU prepara recurso com o argumento de que a nomeação e a exoneração do diretor-geral da PF são prerrogativas do presidente da República. A OAB, por sua vez, cobrou respostas rápidas e claras do Supremo. Nos próximos dias, a leitura do voto de Gilmar Mendes e a eventual convocação do plenário devem definir se o afastamento se mantém.

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