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Diário de Notícias

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Petróleo se aproxima de US$ 100 e volta a preocupar mercados

O barril de petróleo voltou a ocupar o centro das atenções nos mercados globais. Depois de fechar bem perto da marca simbólica no início da semana, o Brent — referência internacional — chegou a superar US$ 100 nesta quarta-feira (9), operando em torno de US$ 100,88, alta de cerca de 3% no dia. O WTI, referência americana, seguiu o mesmo caminho e rondou os US$ 95,60. Desde o começo de agosto, a valorização acumulada passa de 20%.

O combustível dessa alta é geopolítico. A escalada militar no Oriente Médio se intensificou nas últimas semanas, com ataques atribuídos a rebeldes houthis contra instalações de energia na Arábia Saudita, ofensivas iranianas contra posições americanas na região e ações dos Estados Unidos contra embarcações ligadas ao Irã. Como precaução, a Arábia Saudita passou a redirecionar parte de suas exportações para rotas que não dependem do Estreito de Ormuz — passagem estreita por onde circula uma fatia expressiva do petróleo transportado por mar no mundo.

Para os analistas, o valor de US$ 100 é mais do que um número bonito de manchete. Ele funciona como um nível de alerta: encarece transporte, fertilizantes, plásticos e praticamente toda a cadeia industrial, com efeito em cascata sobre os preços ao consumidor. A preocupação é maior em economias asiáticas fortemente dependentes de energia importada, mas nenhum país passa incólume por uma alta prolongada dessa magnitude.

No Brasil, o efeito é ambíguo. De um lado, a Petrobras e as empresas do setor tendem a se valorizar em bolsa, o que ajudou o Ibovespa nos últimos pregões. De outro, o petróleo caro pressiona combustíveis e pode complicar a trajetória de desaceleração da inflação que o mercado vinha desenhando. Por enquanto, o cenário permanece em aberto: analistas divergem sobre quanto tempo o conflito deve sustentar os preços nesse patamar, e um eventual arrefecimento das tensões poderia devolver o barril rapidamente para baixo dos três dígitos.

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