A OpenAI apresentou em 3 de setembro o GPT-6 Astra, sua nova geração de modelo de inteligência artificial. O que chamou mais atenção, porém, não foi a lista de melhorias: é o primeiro modelo da empresa classificado como "crítico" em capacidade cibernética dentro da sua própria estrutura interna de avaliação de riscos, o Preparedness Framework. Em outras palavras, a companhia declarou que o produto cruzou o nível mais alto da escala que ela mesma criou — e decidiu lançá-lo assim mesmo, com travas de segurança.
Nos testes divulgados pela empresa, o Astra alcançou 100% no ExploitBench, avaliação voltada à identificação e exploração de falhas de software, contra 78,5% do modelo anterior. Em outros indicadores, chegou a 97,6% no FrontierMath Tier 4 e 99,9% no ARC-AGI-3. Segundo a OpenAI, a versão disponível ao público foi limitada à revisão e correção segura de código e recusa pedidos para criar exploits de prova de conceito. Em testes internos sem essas travas, o modelo teria explorado duas vulnerabilidades inéditas descobertas entre junho e agosto. Vale a ressalva: esses números são autorreportados pela própria empresa e não passaram por auditoria independente divulgada até agora.
O lançamento também teve tropeços. Como o acesso foi liberado em etapas — primeiro a organizações selecionadas, no dia 3, e depois ampliado a partir do dia 4 —, clientes corporativos e assinantes pagantes ficaram sem o modelo enquanto o anúncio já circulava. Em 4 de setembro, Sam Altman pediu desculpas publicamente pelo que chamou de lançamento "confuso". O modelo está disponível nos planos ChatGPT Plus, Pro, Business e Enterprise, além da API da OpenAI, do Microsoft Azure e do AWS Bedrock, com preço de US$ 10 por milhão de tokens de entrada e US$ 50 por milhão de tokens de saída. Preços e disponibilidade específicos para o Brasil não foram divulgados.
Junto com o modelo, a OpenAI anunciou o programa Daybreak, com US$ 1 bilhão comprometidos para dar acesso subsidiado a defensores — operadores de infraestrutura crítica, saneamento, concessionárias, órgãos públicos e organizações sem fins lucrativos. O piloto está em andamento nos Estados Unidos, e não há menção a participação brasileira. O episódio alimenta duas discussões que interessam diretamente ao país: quem protege a infraestrutura crítica nacional diante de ferramentas ofensivas cada vez mais acessíveis, e quem fiscaliza esses limites — hoje a trava é definida, aplicada e verificada pela própria empresa, sem agência reguladora envolvida. Também circulou uma declaração do presidente da OpenAI, Greg Brockman, dando as boas-vindas à "era da AGI"; é fala de executivo, não consenso técnico, e não existe definição aceita do que seria uma inteligência artificial geral.
0 Comentário(s)