A economia brasileira perdeu fôlego ao longo de 2026, e o Banco Central seguiu reduzindo os juros, ainda que em ritmo cauteloso. Na quarta-feira (16), o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. Foi a quinta redução consecutiva da taxa básica neste ano.
Os dados do IBGE mostram a desaceleração. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre em relação aos três meses anteriores, depois de avançar 1,1% no primeiro trimestre. Na comparação com o mesmo período de 2025, a alta foi de 2%. A agropecuária, com crescimento de 2,8%, sustentou o resultado, enquanto a indústria avançou apenas 0,1% e os serviços, 0,2%. O consumo das famílias recuou 0,4%, sinal de cautela nos gastos domésticos, enquanto os investimentos cresceram 1,2%.
No comunicado, o Banco Central reconheceu que os indicadores recentes apontam para uma “moderação gradual da atividade econômica”, especialmente nos setores mais sensíveis aos juros, embora o mercado de trabalho continue aquecido. A inflação desacelerou e ficou abaixo do teto da meta, mas ainda acima do centro, e o BC avalia que os riscos permanecem elevados, com maior probabilidade de pressão de alta.
As projeções do Copom indicam inflação de 4,9% em 2026 e 4,3% em 2027. O comitê citou como fontes de incerteza os conflitos no Oriente Médio, que mantêm o petróleo acima de US$ 100, a política monetária nas economias avançadas e a situação fiscal doméstica. O corte de 0,25 ponto e o tom cauteloso sugerem que novas reduções devem ocorrer de forma gradual.
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