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Diário de Notícias

DN.

França tenta se recuperar após protestos e confrontos

A França iniciou neste domingo (18) uma grande operação de limpeza e recuperação depois de uma das jornadas mais violentas de protestos dos últimos anos. No sábado (17), segundo o Ministério do Interior, cerca de 550 mil pessoas participaram de 110 manifestações pelo país, 110 mil delas em Paris, contra a alta do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos. Os organizadores, entre eles a central sindical CGT e entidades estudantis, falam em cerca de 800 mil participantes.

A maior parte dos atos ocorreu de forma pacífica, mas grupos entraram em confronto com policiais, saquearam estabelecimentos e atacaram prédios públicos. Os episódios mais graves foram registrados em cidades como Paris, Marselha, Bordeaux e Limoges. Em Limoges, mascarados incendiaram a prefeitura, inaugurada em 1883; a torre do prédio desabou, e a administração regional disse que o edifício ficou "em grande parte destruído". Em Marselha, manifestantes invadiram por alguns momentos o saguão da prefeitura e danificaram um posto policial. Em Paris, houve saques e destruição perto da Praça da República e em áreas comerciais, e a polícia usou gás lacrimogêneo e jatos d'água.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, informou que quase 1.800 pessoas foram detidas em todo o país e que mais de 500 agentes de segurança — policiais, gendarmes e bombeiros — ficaram feridos. Só na região de Paris foram 855 detenções, número recorde segundo a polícia da capital. "O direito de manifestação é um direito fundamental. Semear deliberada e coletivamente a desordem por meio da violência não é", escreveu Nuñez, segundo a agência AP.

Um manifestante morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória durante a marcha em Paris, e a Promotoria da capital abriu investigação. Em Saint-Étienne, um jovem de 17 anos perdeu a mão direita depois de ser atingido por uma granada de dispersão da polícia.

Os protestos reuniram reivindicações de diferentes grupos. Desde setembro, estudantes secundaristas bloqueiam escolas contra a falta de professores, as salas superlotadas e os prédios deteriorados. Ativistas dos "coletes amarelos", movimento surgido em 2018, também convocaram atos nas redes sociais, e a CGT exigiu salários e aposentadorias mais altos, preços mais baixos e a proteção dos serviços públicos.

O governo francês prometeu responsabilizar os envolvidos nos atos violentos e auxiliar financeiramente as cidades atingidas. O presidente Emmanuel Macron afirmou que "não há lugar para a violência" e que os autores dos ataques e saques serão processados e punidos. Ele convocou uma reunião de emergência com a cúpula do governo e faria um pronunciamento à nação na noite de domingo. Os prefeitos de Paris, Marselha e Lyon pediram uma reunião com o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu. A crise ocorre cerca de seis meses antes da eleição presidencial.

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