As reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial terminaram neste domingo (18), em Bangcoc, na Tailândia, sem apresentar novas soluções para os principais problemas enfrentados pelos países em desenvolvimento. Dívidas elevadas, inflação, guerras e desigualdade tecnológica estiveram entre os temas discutidos pelos ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais reunidos na capital tailandesa, que voltou a sediar os encontros 35 anos depois da primeira vez, em 1991.
O pano de fundo foi o choque de energia provocado pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que reduziu a oferta global de petróleo e gás e fez os preços dispararem. Segundo o FMI, os mais afetados são os países em desenvolvimento importadores de energia. Na revisão do World Economic Outlook, divulgada em 13 de outubro, o Fundo projetou crescimento global de 3,1% em 2026 e de 3,4% em 2027. Para as economias emergentes e em desenvolvimento, a previsão é de desaceleração de 4,5% em 2025 para 3,7% em 2026, e a inflação global deve chegar a 4,7% neste ano.
Nações de menor renda enfrentam custos cada vez maiores para financiar suas dívidas. Segundo a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, o serviço da dívida dos países em desenvolvimento mais que dobrou na última década e consome, em média, 14% da arrecadação dos governos. O crescimento dos juros internacionais compromete parcelas importantes dos orçamentos públicos e reduz os recursos disponíveis para investimentos em saúde, educação e infraestrutura.
Os organismos internacionais voltaram a recomendar equilíbrio fiscal, reformas econômicas e atração de investimentos privados. Georgieva defendeu que os bancos centrais mantenham a política monetária restritiva onde a inflação persistir e que os governos façam um ajuste fiscal decidido. O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, afirmou que os recursos públicos sozinhos não bastam para cobrir as necessidades de financiamento dos países em desenvolvimento e alertou que 1,2 bilhão de jovens chegarão à idade de trabalhar na próxima década, enquanto a projeção é de apenas 420 milhões de novos empregos.
A inteligência artificial foi outro foco das discussões. Pelos dados do FMI, Estados Unidos e China respondem por mais de três quartos da demanda líquida por chips e equipamentos de IA, e apenas 32 países concentram 95% do crescimento global. "Temos muito mais perguntas do que respostas", reconheceu Georgieva sobre os efeitos da tecnologia. O Banco Mundial disse que vai se concentrar em preparar os países em desenvolvimento para a IA, mas nenhuma iniciativa concreta foi anunciada.
Representantes e especialistas ligados aos países emergentes, no entanto, cobraram ações mais concretas para diminuir a desigualdade e evitar que as nações mais pobres fiquem ainda mais distantes dos avanços tecnológicos. O ex-ministro da Fazenda da Colômbia Mauricio Cárdenas, hoje professor da Universidade Columbia, disse à agência Reuters que FMI e Banco Mundial "não estão particularmente bem preparados para essa nova fase". O economista Kevin P. Gallagher, da Universidade de Boston, afirmou à AFP que as instituições "não estão à altura do momento".
As tensões geopolíticas também marcaram os encontros. Segundo a Reuters, quase metade dos delegados deixou a sala do comitê diretor do FMI quando o ministro das Finanças da Rússia tomou a palavra.
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