O presidente de Israel, Isaac Herzog, concedeu formalmente neste domingo ao líder oposicionista Gadi Eisenkot a primeira oportunidade de formar o próximo governo, após uma eleição marcada pela divisão política. A designação dá ao ex-chefe do Estado-Maior do Exército a chance de articular uma coalizão e abre caminho para uma possível substituição do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o mais longevo no cargo no país. O gesto, porém, não garante que Eisenkot assumirá o governo: ele terá até seis semanas para reunir apoio suficiente no Parlamento, o Knesset, num cenário em que nenhum dos blocos obteve maioria clara no pleito de 27 de outubro.
Durante cerimônia na residência presidencial, em Jerusalém, Herzog reforçou a importância de um governo que atue para unificar o país. "Espero, de todo o coração, que qualquer governo que venha a ser formado conduza à unidade, à conexão e à cura entre todos os segmentos do nosso povo - pois a nossa própria existência depende disso, e temos apenas um país".
Segundo Herzog, a maioria dos parlamentares consultados defendeu que a tarefa de formar governo fosse atribuída a Eisenkot. O oposicionista disse que buscará uma liderança "digna de confiança". "Uma maioria absoluta dos membros do Knesset, que representam a população israelense, apoia uma mudança". Ele acrescentou: "Pretendo conduzir a situação com paciência, humildade, serenidade e um profundo compromisso com um Israel judaico, igualitário, liberal e seguro", declarou.
As negociações devem se concentrar em alianças politicamente sensíveis, sobretudo com partidos liderados por árabes, que registraram desempenho histórico. O Raam, único partido árabe que já integrou uma coalizão, em 2021, informou que apoiará Eisenkot, mas não tem cadeiras suficientes para garantir maioria. A "Lista Conjunta" (Joint List) se ofereceu para apoiar o oposicionista de fora do governo, num movimento incomum para derrotar Netanyahu.
A aproximação, no entanto, enfrenta resistências. Um aliado de Eisenkot, o Yisrael Beytenu, afirmou que não participará de uma coalizão que inclua partidos liderados por árabes. Eisenkot estabeleceu quatro condições para apoiar o governo, incluindo reconhecer Israel como Estado judeu e democrático e classificar o Hamas como organização terrorista - ponto sobre o qual ainda não está claro se haverá acordo.
Netanyahu, por sua vez, tem repetido sem provas a alegação de que a eleição foi "roubada" por partidos árabes e tenta pressionar o rival, ao afirmar que uma aliança desse tipo seria traição. O Shin Bet, serviço de segurança interna, abriu investigação sobre possível interferência estrangeira, mas a Comissão Central Eleitoral e Herzog dizem que a votação foi válida.
Sem maioria, Eisenkot terá de escolher entre alternativas que exigem concessões: negociar um acordo de compartilhamento de poder com Netanyahu ou buscar apoio de partidos ultraortodoxos, que defendem a manutenção de isenções do serviço militar - tema que a oposição transformou em bandeira e que ganhou peso após três anos de guerra. O Judaísmo Unido da Torá sinalizou disposição para conversar.
Os novos membros do Knesset tomam posse na terça-feira. Até a formação de uma coalizão, Netanyahu e o gabinete seguem interinamente, com poderes limitados. Enquanto isso, permanecem no horizonte os conflitos em Gaza e no Líbano e a tensão com o Irã, além do que Herzog chamou de "a nova situação política nos Estados Unidos", com sinais de enfraquecimento do apoio a Israel. Ao se dirigir a Eisenkot, Herzog disse: "Nos próximos dias, Gadi, à medida que você e seus pares entrarem nas salas de negociação, peço que se lembrem de que os olhos de toda a nação - com toda a sua dor, esperanças, orações e medos - estão voltados para vocês."
*Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado pela equipe editorial do Estadão. Saiba mais em nossa Política de IA.
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