Peña deixa o cargo enquanto a Câmara aprovava o impeachment; o vice Pedro Alliana assume. Liquidação do banco digital congelou o dinheiro de 2,9 milhões de correntistas.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), enquanto a Câmara dos Deputados discutia a abertura de um processo de impeachment contra ele. Em pronunciamento nas redes sociais, Peña disse que deixava a Presidência em nome da estabilidade do país e da necessidade de preservar as instituições, e pediu desculpas à população. O vice-presidente, Pedro Alliana, assume o governo.
A crise começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai interveio e liquidou o Ueno Bank, banco digital que tinha 2,9 milhões de correntistas, cerca de 60% da população adulta do país. Os depósitos foram congelados, o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que dirigiu o Ueno até 2023, renunciou, e o Ministério Público pediu a prisão de oito pessoas, entre elas o presidente do banco. Peña foi acionista, até março de 2025, do grupo que controla a instituição.
Mesmo com a renúncia, a Câmara aprovou o impeachment por unanimidade, com votos do próprio Partido Colorado, que governa o país há sete décadas e passou a cobrar a saída do presidente. Agora o Senado decide se o processo continua. A diferença é relevante: no Paraguai, ex-presidentes ganham uma cadeira vitalícia no Senado, com direito a voz, mas quem é cassado perde esse direito.
O impacto econômico é grande. O Ueno administrava pensões de aposentados e cerca de 30% dos depósitos de fundos públicos, e duas em cada três transações das grandes redes de varejo passavam por contas do banco. O fundo garantidor paraguaio cobre até US$ 38 mil por pessoa, o que, segundo o Banco Central, protege 97% dos clientes, mas só 30% do valor depositado. Comerciantes preveem uma semiparalisação do comércio, e protestos nas ruas de Assunção cobram punição aos responsáveis.
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