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Brasileiro segura a carteira: consumo das famílias cai e freia o PIB

A economia brasileira continuou crescendo no segundo trimestre de 2026, mas com um detalhe que mudou o humor do mercado: quem parou de gastar foi o consumidor. Segundo as Contas Nacionais Trimestrais divulgadas pelo IBGE em 1º de setembro, o Produto Interno Bruto avançou 0,5% em relação aos três meses anteriores, desacelerando ante a alta de 1,1% do primeiro trimestre. Na comparação com o mesmo período de 2025, o crescimento foi de 2,0%, e o acumulado do primeiro semestre ficou em 1,9%. O PIB somou cerca de R$ 3,4 trilhões no trimestre.

O ponto que chamou atenção foi o consumo das famílias, que recuou 0,4% — a primeira queda desde o quarto trimestre de 2024, revertendo a alta de 0,8% registrada no trimestre anterior. Na comparação anual, o item ainda cresce 0,5%. O consumo do governo subiu 0,4% e os investimentos avançaram 1,2%, bem abaixo dos 3,4% do começo do ano. Pelo lado da produção, a agropecuária puxou o resultado com alta de 2,8%, enquanto a indústria ficou praticamente estável, em 0,1%, e os serviços cresceram 0,2%. O número veio acima da mediana esperada pelo mercado, de 0,4%, mas frustrou o Ministério da Fazenda, que projetava 0,8%.

A leitura mais repetida entre economistas é a de que os juros altos chegaram ao bolso. A Selic está em 14% ao ano, após corte de 0,25 ponto percentual decidido pelo Copom em agosto, e o crédito ao consumidor segue caro. Analistas ouvidos por veículos de economia apontam que o recuo do consumo não acompanha os números ainda positivos do mercado de trabalho, o que reforça a tese de que a demanda está sendo contida pelo custo do dinheiro e pelo endividamento das famílias. Vale uma ressalva: circulam métricas diferentes de endividamento, e elas não devem ser comparadas entre si — o indicador da CNC, por exemplo, mede a proporção de famílias com alguma dívida e fica em torno de 82%, patamar bem distinto do índice que relaciona dívida e renda.

O que vem agora depende bastante da inflação. O IPCA-15 de agosto registrou deflação de 0,40%, abaixo do esperado, e o IPCA cheio do mês será divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (11) — dado decisivo para a próxima reunião do Copom. No Boletim Focus de 31 de agosto, o mercado projetava IPCA de 5,01% e crescimento de 1,92% para 2026, com dólar a R$ 5,20. A Fazenda informou que sua projeção de 2,3% para o ano está em revisão, com viés de baixa, e espera nova desaceleração no terceiro trimestre, com recuperação gradual no fim do ano. São estimativas, e não previsões garantidas: elas mudam a cada rodada de dados.

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