0

Diário de Notícias

DN.

Petróleo alcança maior preço em seis semanas após nova escalada no Oriente Médio

Petróleo alcança maior preço em seis semanas após nova escalada no Oriente Médio

Os preços internacionais do petróleo voltaram a subir e atingiram o maior patamar em cerca de seis semanas nesta segunda-feira (7). O contrato do Brent, referência global, encerrou o dia em torno de US$ 97 por barril, com alta de aproximadamente 0,75%, depois de chegar a bater US$ 98,06 durante o pregão. O WTI, negociado nos Estados Unidos, era cotado perto de US$ 92,68, com valorização de cerca de 1,3%. O volume de negócios foi menor do que o habitual por causa de feriado nos Estados Unidos, o que ajudou a limitar a intensidade da alta.

O movimento foi puxado por relatos de que instalações da estatal saudita Saudi Aramco teriam sido atingidas na região de Jizan, no sul da Arábia Saudita — informação que, até o fechamento desta edição, seguia sem confirmação oficial detalhada da companhia. Somou-se a isso um fim de semana de ofensivas e contra-ataques entre Estados Unidos e Irã. Teerã afirmou ter atingido uma embarcação militar americana, versão negada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos. Também pesou o alerta da Guarda Revolucionária Iraniana sobre a navegação no Estreito de Ormuz, onde o tráfego de navios caiu cerca de 28% na semana passada.

O nervosismo do mercado tem uma explicação relativamente simples. Quando um conflito envolve países que produzem grandes volumes de petróleo, ou ameaça as rotas por onde a commodity circula, cresce o risco de que parte da oferta mundial simplesmente deixe de chegar aos compradores. O Estreito de Ormuz é o caso mais sensível: por essa passagem estreita, entre o Irã e Omã, transitava algo em torno de um quinto de todo o petróleo e gás natural consumidos no mundo antes do início do conflito atual. Como não existe substituto imediato para esse volume, qualquer sinal de bloqueio faz os preços reagirem rapidamente.

Para o consumidor, o efeito não é instantâneo, mas costuma chegar. O petróleo é a matéria-prima da gasolina, do diesel, do querosene de aviação e de uma longa lista de produtos derivados. Se a alta se mantiver por semanas ou meses, ela tende a pressionar os preços dos combustíveis, encarecer o frete rodoviário e, por consequência, o custo de alimentos e mercadorias que dependem de transporte. Esse encadeamento é um dos caminhos clássicos pelos quais uma crise geopolítica distante acaba aparecendo na inflação e no orçamento das famílias. Analistas ponderam, no entanto, que uma interrupção efetiva e prolongada do fluxo seria necessária para levar o barril de forma sustentada acima de US$ 100.

0 Comentário(s)

Faça login para comentar.