A gastronomia brasileira entrou em outro patamar em 2026, e quem gosta de viajar comendo tem agora um roteiro bem definido. Na cerimônia realizada em 13 de abril, no Rio de Janeiro, o Guia Michelin concedeu pela primeira vez três estrelas a restaurantes brasileiros: o Tuju, do chef Ivan Ralston, e o Evvai, de Luiz Filipe Souza, ambos em São Paulo. Foi também a primeira vez que a distinção máxima do guia chegou à América Latina. O Tuju trabalha com menus-degustação que exploram os biomas brasileiros; o Evvai cruza ingredientes nacionais com a herança da imigração italiana.
Logo abaixo, a seleção de duas estrelas reúne o Lasai, de Rafa Costa e Silva, e o Oro, de Felipe Bronze, no Rio, além do D.O.M., de Alex Atala, em São Paulo. A lista de uma estrela tem 19 casas, com a única novidade de 2026 sendo o Madame Olympe, de Claude Troisgros, no Rio. Três restaurantes paulistanos receberam a Estrela Verde, dada a projetos de sustentabilidade: A Casa do Porco, Corrutela e o próprio Tuju. Para quem não quer gastar o preço de um menu-degustação, o caminho é o Bib Gourmand, categoria de boa comida a preço razoável — em abril entraram seis novos endereços, entre eles o Koral, no Rio, e o Jiquitaia, o Manioca JK e o Tanit, em São Paulo.
O detalhe importante é que o Guia Michelin, no Brasil, só cobre Rio e São Paulo. Quem quiser mapear o que acontece fora do eixo precisa olhar outros rankings — e é aí que Salvador e Curitiba aparecem. Na lista dos 100 melhores restaurantes do Brasil publicada pela Casual EXAME em junho, Salvador emplacou seis casas, com o Origem, de Fabrício Lemos e Lisiane Arouca, em quarto lugar, e o Boia, de Kaywa Hilton, em décimo. O Manu, de Manoela Buffara, em Curitiba, ficou em sexto. No ranking latino-americano do 50 Best divulgado em dezembro de 2025, o Brasil colocou seis restaurantes no top 50 e dezesseis no top 100, com o Tuju em oitavo — o melhor brasileiro.
Por trás desse movimento há um fator econômico concreto: o turismo internacional em alta. Segundo a Abrasel, o país recebeu mais de 9 milhões de visitantes estrangeiros em 2025, alta de 37% sobre 2024, com projeção de 10 milhões para este ano. O que está em alta no prato, segundo as próprias premiações, são ingredientes sazonais e locais, biodiversidade brasileira, técnica contemporânea aplicada a receitas tradicionais e aproveitamento integral dos alimentos. Duas ressalvas úteis antes de sair reservando: preços, endereços e horários mudam com frequência e devem ser conferidos direto com cada casa, e algumas listas do setor divergem entre si sobre premiações específicas — o mais seguro é checar no site oficial de cada guia.
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